Na última semana do mês de julho, São Paulo (SP) recebeu o III Encontro da RedeGOV. Representantes de oito organizações, de seis países diferentes, participaram deste que é o terceiro encontro presencial da rede. Em seguida, os membros da rede participaram de uma agenda específica no 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
O primeiro momento do encontro ocorreu em 29 de julho. Ali, durante um dia de reunião de trabalho, as organizações-membro ratificaram o pacote de regras que vai orientar o funcionamento da RedeGOV. Foram discutidas e acordadas questões como Assembleia Geral, Comitê de Gestão, Secretariado Executivo e Grupos de Trabalho Temáticos, assim como regras de adesão e recredenciamento para participação na rede.
Houve ainda momentos de capacitação, em que foram ministradas oficinas – uma voltada a aspectos jurídicos e de compliance, outra sobre prestação de contas; e uma sessão de mini-grants, na qual as organizações apresentaram propostas de projetos e receberam devolutivas no mesmo dia.
“A corrupção transnacional não respeita fronteiras, e a resposta da sociedade civil também não pode respeitar. O que fizemos aqui foi transformar afinidade em estrutura: agora temos regras claras sobre como decidimos juntos, como entram novos membros e como prestamos contas uns aos outros”, disse Nicole Verillo, Gerente de Apoio e Incidência Anticorrupção da Transparência Internacional – Brasil.
Para o representante da organização angolana Associação Omunga, João Malavindele, o encontro teve um sentimento forte de comunhão: “Esse encontro significou para mim, a edificação da família RedeGOV, onde o espírito de partilha e aprendizado ficou bastante evidente para todos os membros. Por outro lado, é a afirmação da rede na vida das nossas organizações e das comunidades. O objetivo é caminharmos juntos nos bons e maus momentos e fazer com que a transparência e boa governança sejam uma realidade para o desenvolvimento dos nossos países”.
Jornalismo investigativo na comunidade lusófona
Nos três dias seguintes – de 30 de julho a 1º de agosto – a delegação da RedeGOV participou das atividades do 21º Congresso da Abraji, realizado na Universidade Paulista (Unip), Campus Paraíso, também em São Paulo.
Entre as atividades que contaram com a participação dos colegas lusófonos, estavam uma mesa sobre assédio judicial contra a imprensa; um encontro reservado do grupo com o presidente do conselho da Transparência Internacional, François Valérian; uma oficina sobre dados e rastreio de dinheiro ministrada pelo jornalistas Eduardo Goulart; e uma oficina sobre a plataforma Horizons para investigar pessoas expostas politicamente em diferentes países.
Representante do Observatório de Imprensa de Angola, Azevedo Muanza disse ter gostado das formações. “Um dos grandes aprendizados desta experiência foi o contato com novas ferramentas e metodologias de investigação, em especial a plataforma Horizons, que demonstrou o potencial da tecnologia no rastreamento de informações, análise de dados e identificação de ativos ligados a Pessoas Politicamente Expostas (PPE). Essas conversas reforçam a importância da inovação no jornalismo investigativo e no combate à corrupção”.
As organizações da RedeGOV que participaram da programação em São Paulo foram:
- a EthosGov, de Portugal;
- a EG Justice, da diáspora da Guiné Equatorial;
- a UYELE, de Angola;
- o Centro de Integridade Pública (CIP-MOZ), de Moçambique;
- o Centro de Integridade Pública (CIP-STP), de São Tomé e Príncipe;
- a Associação Omunga, de Angola;
- o Observatório de Imprensa de Angola (OIA), de Angola;
- o Observatório da Democracia e Governança (ODG), da Guiné-Bissau.
Promovendo o combate à corrupção nos países de língua portuguesa
A Rede pela Boa Governança e Desenvolvimento Sustentável na Lusofonia (RedeGOV) é uma iniciativa de mobilização cívica, que funciona de maneira independente, criada em 2017. Os integrantes dessa rede partilham uma visão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) bem governada, sustentável e livre de corrupção, em que governos e a sociedade civil se unem em torno da defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e da cidadania ativa.
