30 anos da Comunidade de Países da Língua Portuguesa: cooperação, transparência e o papel da sociedade civil

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O segundo encontro da RedeGOV, ocorrido em 2024, teve como objetivo permitir o intercâmbio de experiências de combate à corrupção entre integrantes da CPLP. Foto: Divulgação

Neste dia 17 de julho de 2026, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) completa 30 anos.

Criada em 1996, a organização reúne nove países unidos pela língua portuguesa e por agendas comuns de cooperação política, institucional e cultural: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial (que aderiu em 2014), Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste (que passou a integrar o bloco em 2002, após sua independência). Ao todo, a comunidade reúne cerca de 300 milhões de pessoas em quatro continentes.

Ao longo dessas três décadas, a CPLP se consolidou como um espaço relevante de articulação entre países de diferentes continentes, promovendo iniciativas voltadas à integração e ao desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o marco dos 30 anos também abre espaço para reflexão. A CPLP reúne países com diferentes contextos institucionais, mas que compartilham desafios estruturais comuns: o enfraquecimento de mecanismos de controle, a captura de instituições públicas e diferentes formas de corrupção que atravessam a administração pública, o sistema de justiça e o espaço cívico — ainda que com intensidades distintas em cada país. Em um cenário global de desafios à democracia, ataques a organizações, à transparência e ao espaço cívico, torna-se cada vez mais importante fortalecer a cooperação entre países para promover integridade pública, participação social e acesso à informação.

Nesse contexto, redes da sociedade civil desempenham um papel estratégico ao fomentar trocas, fortalecer capacidades institucionais e promover agendas comuns entre organizações dos países lusófonos. É nesse esforço que se insere, desde 2017, a RedeGOV – Rede pela Boa Governança e Desenvolvimento Sustentável na Lusofonia.

O que é a RedeGOV

A RedeGOV é uma iniciativa de mobilização cívica independente que reúne organizações da sociedade civil de diferentes países de língua portuguesa em torno de uma visão comum: uma lusofonia/CPLP bem governada, sustentável e livre de corrupção, na qual governos e sociedade civil trabalhem juntos pela defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e da cidadania ativa. Para isso, a rede promove formação, intercâmbio de experiências e incidência conjunta em temas-chave para a região.

Os membros da rede colaboram em ações de advocacy voltadas ao fortalecimento de normas anticorrupção e padrões de boa governação no âmbito da própria CPLP. Desde outubro de 2023, a RedeGOV conta com o apoio do National Endowment for Democracy (NED) para o desenvolvimento de um programa dedicado à prevenção e ao combate à corrupção transnacional no espaço lusófono.

O papel da Transparência Internacional

É nesse esforço que se insere a atuação da Transparência Internacional – Brasil como Secretaria Executiva da RedeGOV, função que a organização exerce desde 2024.

Como secretaria executiva, a TI Brasil é responsável por articular a atuação conjunta das organizações parceiras, apoiar a produção de conhecimento compartilhado e ampliar a comunicação da rede sobre os temas de integridade pública na comunidade lusófona. Essa atuação inclui a produção de conteúdos sobre o impacto da corrupção transnacional na CPLP, o acompanhamento de indicadores como o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) nos países de língua portuguesa e o apoio a iniciativas de intercâmbio entre jornalistas e organizações de controle social dos diferentes países-membros, como no II Encontro de organizações e ativistas anticorrupção de países lusófonos.

Ao aproximar essas organizações e estimular o compartilhamento de práticas, a rede contribui para ampliar o impacto da sociedade civil na promoção de governos mais transparentes e responsáveis.

Por que isso importa

A corrupção transnacional não respeita fronteiras. Fluxos financeiros ilícitos, esquemas de lavagem de dinheiro e captura institucional frequentemente atravessam mais de um país lusófono ao mesmo tempo. Portanto, fortalecer a cooperação entre sociedades civis desses países é, portanto, parte essencial da resposta a esse problema.

Sob o lema de seus 30 anos: “Unidade na Diversidade, Uma Comunidade para os Povos”, a CPLP reafirma sua relevância como espaço de cooperação entre povos de diferentes continentes. O desafio, daqui para frente, é transformar essa cooperação em avanços concretos na vida das pessoas. Iniciativas como a RedeGOV mostram que a sociedade civil tem papel central nesse caminho e que o fortalecimento das conexões entre os países lusófonos é essencial para enfrentar desafios comuns e construir soluções compartilhadas.

Ao marcar os 30 anos da CPLP, a TI Brasil reforça seu compromisso com essa agenda e convida jornalistas, pesquisadores e cidadãos interessados a conhecer e acompanhar o trabalho da RedeGOV e das organizações que compões a rede.

Saiba mais e acompanhe a RedeGOV: redegov.org

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